- O crescente interesse pelo português no mundo
A crescente presença econômica, geopolítica e cultural dos países de língua portuguesa no mundo tem aumentado o interesse de falantes de outros idiomas pelo português. Esse aumento acontece tanto em países com fronteiras com países da CPLP, como Senegal, Uruguai, Argentina e Paraguai, como em outros países sem proximidade linguística.
No Uruguai, o português já foi institucionalizado como ensino obrigatório nas escolas. Já na China e Índia, a constante de negócio com o Brasil e países africanos lusófonos aumentou bastante o interesse pelo idioma. Nos últimos anos, os relatórios da plataforma Duolingo mostram que depois do inglês e o espanhol, o português tem crescido como um dos principais idiomas no mundo, assim como o chinês e o coreano.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
- Nós entendemos espanhol, mas os hispânicos não nos entendem bem
Falantes de português frequentemente tem facilidade em entender o espanhol escrito e falado, mas os hispanofalantes não compartilham dessa facilidade na fala, somente na escrita. Isso é o que os linguistas chamam de “inteligibilidade assimétrica”, que é quando falantes de um idioma conseguem compreender outro idioma, mas os nativos dessa outra língua não tem o mesmo nível de compreensão.
No caso do espanhol, a dificuldade dos falantes em entender o português está nos fonemas e vogais nasais, já que o português tem muito mais diversidade desses sons que no espanhol. Um exemplo clássico está na inexistência de diferenças entre vogais abertas e fechadas no espanhol, enquanto no português coexistem “e”, “ê” e “é”, “o”, “ô” e “ó”.
Na prática, os hispanofalantes não conseguem entender a diferença de “avô” e “avó”, por exemplo, já que nunca tiveram contanto com essas variantes nasais. Por isso os lusófonos entendem cerca de 70% a 80% do espanhol, enquanto os hispânicos entendem algo entre 50% e 60% de português, não sendo raro uma taxa de compreensão abaixo desses níveis.
- O crescente interesse pelo português no mundo
A crescente presença econômica, geopolítica e cultural dos países de língua portuguesa no mundo tem aumentado o interesse de falantes de outros idiomas pelo português. Esse aumento acontece tanto em países com fronteiras com países da CPLP, como Senegal, Uruguai, Argentina e Paraguai, como em outros países sem proximidade linguística.
No Uruguai, o português já foi institucionalizado como ensino obrigatório nas escolas. Já na China e Índia, a constante de negócio com o Brasil e países africanos lusófonos aumentou bastante o interesse pelo idioma. Nos últimos anos, os relatórios da plataforma Duolingo mostram que depois do inglês e o espanhol, o português tem crescido como um dos principais idiomas no mundo, assim como o chinês e o coreano.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
- O decreto de Getúlio Vargas
A língua geral e os idiomas nativos não foram os únicos falados no Brasil, além do português. A imigração europeia aberta no final do século 19 trouxe um influxo de milhões de pessoas de vários países, com costumes, cultura e idiomas diferentes. Por isso, vários municípios do país tinham falantes de diversos idiomas “estrangeiros”, como o alemão, o ucraniano, italiano – e suas dezenas de dialetos – e o japonês.
No entanto, esses hábitos sofreram forte resistência política de Getúlio Vargas. Seu governo coincidiu com a segunda guerra mundial, e havia o temor de que esses imigrantes e seus decendentes – especialmente da Alemanha, Itália e Japão, países que formavam o eixo – se alinhassem na defensa de seus países de origem, colocando em risco a unidade nacional.
Assim, Getúlio Vargas começou uma campanha de nacionalização, fechando as portas para a imigração e proibindo o uso público de qualquer idioma que não fosse o português. Quem se descumprisse a lei poderia pagar multas ou mesmo ir preso.
- Nós entendemos espanhol, mas os hispânicos não nos entendem bem
Falantes de português frequentemente tem facilidade em entender o espanhol escrito e falado, mas os hispanofalantes não compartilham dessa facilidade na fala, somente na escrita. Isso é o que os linguistas chamam de “inteligibilidade assimétrica”, que é quando falantes de um idioma conseguem compreender outro idioma, mas os nativos dessa outra língua não tem o mesmo nível de compreensão.
No caso do espanhol, a dificuldade dos falantes em entender o português está nos fonemas e vogais nasais, já que o português tem muito mais diversidade desses sons que no espanhol. Um exemplo clássico está na inexistência de diferenças entre vogais abertas e fechadas no espanhol, enquanto no português coexistem “e”, “ê” e “é”, “o”, “ô” e “ó”.
Na prática, os hispanofalantes não conseguem entender a diferença de “avô” e “avó”, por exemplo, já que nunca tiveram contanto com essas variantes nasais. Por isso os lusófonos entendem cerca de 70% a 80% do espanhol, enquanto os hispânicos entendem algo entre 50% e 60% de português, não sendo raro uma taxa de compreensão abaixo desses níveis.
- O crescente interesse pelo português no mundo
A crescente presença econômica, geopolítica e cultural dos países de língua portuguesa no mundo tem aumentado o interesse de falantes de outros idiomas pelo português. Esse aumento acontece tanto em países com fronteiras com países da CPLP, como Senegal, Uruguai, Argentina e Paraguai, como em outros países sem proximidade linguística.
No Uruguai, o português já foi institucionalizado como ensino obrigatório nas escolas. Já na China e Índia, a constante de negócio com o Brasil e países africanos lusófonos aumentou bastante o interesse pelo idioma. Nos últimos anos, os relatórios da plataforma Duolingo mostram que depois do inglês e o espanhol, o português tem crescido como um dos principais idiomas no mundo, assim como o chinês e o coreano.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
- A morte da língua geral
Por mais de 300 anos da colonização portuguesa em território brasileiro, a língua portuguesa não era a utilizada no dia a dia. O contato dos colonizadores europeus com as línguas indígenas e idiomas dos escravizados trazidos da África deu origem a uma língua crioula brasileira, assim como aconteceu em Cabo Verde. Mas ao contrário do arquipélago africano, por aqui o idioma totalmente brasileiro caiu em desuso.
Dividido entre duas variantes, uma mais falada no sul, chamada de paulista ou tupi-guarani, e outra mais falada no norte, conhecida como amazônica, esse idioma tinha o nome de “língua geral”. Os padres jesuítas e seu processo de evangelização dos nativos foram fundamentais na criação dela, com forte influência tanto do português quanto do tupi antigos.
O início do seu declínio aconteceu em 1758 e 1759, quando o Marquês de Pombal oficializou o português como único idioma oficial do país. No entanto, a língua geral continuou predominando em grande parte do território nacional até o fim do século 19 e início do século 20, período em que o português enfim se estabeleceu.
Muitas palavras da língua geral ainda resistem no português brasileiro, algumas inclusive foram incorporadas oficialmente. A variante amazônica deu origem ao nheengatu, também conhecido como tupi moderno, que ainda resiste em algumas cidades no noroeste do Amazonas, sendo idioma cooficial do estado.
- O decreto de Getúlio Vargas
A língua geral e os idiomas nativos não foram os únicos falados no Brasil, além do português. A imigração europeia aberta no final do século 19 trouxe um influxo de milhões de pessoas de vários países, com costumes, cultura e idiomas diferentes. Por isso, vários municípios do país tinham falantes de diversos idiomas “estrangeiros”, como o alemão, o ucraniano, italiano – e suas dezenas de dialetos – e o japonês.
No entanto, esses hábitos sofreram forte resistência política de Getúlio Vargas. Seu governo coincidiu com a segunda guerra mundial, e havia o temor de que esses imigrantes e seus decendentes – especialmente da Alemanha, Itália e Japão, países que formavam o eixo – se alinhassem na defensa de seus países de origem, colocando em risco a unidade nacional.
Assim, Getúlio Vargas começou uma campanha de nacionalização, fechando as portas para a imigração e proibindo o uso público de qualquer idioma que não fosse o português. Quem se descumprisse a lei poderia pagar multas ou mesmo ir preso.
- Nós entendemos espanhol, mas os hispânicos não nos entendem bem
Falantes de português frequentemente tem facilidade em entender o espanhol escrito e falado, mas os hispanofalantes não compartilham dessa facilidade na fala, somente na escrita. Isso é o que os linguistas chamam de “inteligibilidade assimétrica”, que é quando falantes de um idioma conseguem compreender outro idioma, mas os nativos dessa outra língua não tem o mesmo nível de compreensão.
No caso do espanhol, a dificuldade dos falantes em entender o português está nos fonemas e vogais nasais, já que o português tem muito mais diversidade desses sons que no espanhol. Um exemplo clássico está na inexistência de diferenças entre vogais abertas e fechadas no espanhol, enquanto no português coexistem “e”, “ê” e “é”, “o”, “ô” e “ó”.
Na prática, os hispanofalantes não conseguem entender a diferença de “avô” e “avó”, por exemplo, já que nunca tiveram contanto com essas variantes nasais. Por isso os lusófonos entendem cerca de 70% a 80% do espanhol, enquanto os hispânicos entendem algo entre 50% e 60% de português, não sendo raro uma taxa de compreensão abaixo desses níveis.
- O crescente interesse pelo português no mundo
A crescente presença econômica, geopolítica e cultural dos países de língua portuguesa no mundo tem aumentado o interesse de falantes de outros idiomas pelo português. Esse aumento acontece tanto em países com fronteiras com países da CPLP, como Senegal, Uruguai, Argentina e Paraguai, como em outros países sem proximidade linguística.
No Uruguai, o português já foi institucionalizado como ensino obrigatório nas escolas. Já na China e Índia, a constante de negócio com o Brasil e países africanos lusófonos aumentou bastante o interesse pelo idioma. Nos últimos anos, os relatórios da plataforma Duolingo mostram que depois do inglês e o espanhol, o português tem crescido como um dos principais idiomas no mundo, assim como o chinês e o coreano.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
- Tu X Você
Enquanto em Portugal o “você” caiu em desuso, usando-se “tu”, no Brasil o “você” é predominante, enquanto o “tu” é mais comum em algumas regiões do sul, nordeste e norte do país, além do Rio de Janeiro. Mas no Brasil, na maioria das vezes em que o “tu” é utilizado, de maneira informal, se utiliza a conjugação da 3ª pessoa, e não da 2ª, como seria o correto.
Dessa forma, é comum dizer “tu come” ao invés de “tu comes”, com exceção de algumas comunidades em Santa Catarina e no Rio grande do Sul, onde predomina o emprego do verbo corretamente.
Já nos dialetos africanos há variações regionais e de tratamento (formal ou informal) entre o “tu” e o “você”, mas também é comum que em algumas regiões se faça o contrário: usar o pronome “você” conjugando o verbo na 2ª pessoa. Logo “você come” pode ser “você comes”.
- A morte da língua geral
Por mais de 300 anos da colonização portuguesa em território brasileiro, a língua portuguesa não era a utilizada no dia a dia. O contato dos colonizadores europeus com as línguas indígenas e idiomas dos escravizados trazidos da África deu origem a uma língua crioula brasileira, assim como aconteceu em Cabo Verde. Mas ao contrário do arquipélago africano, por aqui o idioma totalmente brasileiro caiu em desuso.
Dividido entre duas variantes, uma mais falada no sul, chamada de paulista ou tupi-guarani, e outra mais falada no norte, conhecida como amazônica, esse idioma tinha o nome de “língua geral”. Os padres jesuítas e seu processo de evangelização dos nativos foram fundamentais na criação dela, com forte influência tanto do português quanto do tupi antigos.
O início do seu declínio aconteceu em 1758 e 1759, quando o Marquês de Pombal oficializou o português como único idioma oficial do país. No entanto, a língua geral continuou predominando em grande parte do território nacional até o fim do século 19 e início do século 20, período em que o português enfim se estabeleceu.
Muitas palavras da língua geral ainda resistem no português brasileiro, algumas inclusive foram incorporadas oficialmente. A variante amazônica deu origem ao nheengatu, também conhecido como tupi moderno, que ainda resiste em algumas cidades no noroeste do Amazonas, sendo idioma cooficial do estado.
- O decreto de Getúlio Vargas
A língua geral e os idiomas nativos não foram os únicos falados no Brasil, além do português. A imigração europeia aberta no final do século 19 trouxe um influxo de milhões de pessoas de vários países, com costumes, cultura e idiomas diferentes. Por isso, vários municípios do país tinham falantes de diversos idiomas “estrangeiros”, como o alemão, o ucraniano, italiano – e suas dezenas de dialetos – e o japonês.
No entanto, esses hábitos sofreram forte resistência política de Getúlio Vargas. Seu governo coincidiu com a segunda guerra mundial, e havia o temor de que esses imigrantes e seus decendentes – especialmente da Alemanha, Itália e Japão, países que formavam o eixo – se alinhassem na defensa de seus países de origem, colocando em risco a unidade nacional.
Assim, Getúlio Vargas começou uma campanha de nacionalização, fechando as portas para a imigração e proibindo o uso público de qualquer idioma que não fosse o português. Quem se descumprisse a lei poderia pagar multas ou mesmo ir preso.
- Nós entendemos espanhol, mas os hispânicos não nos entendem bem
Falantes de português frequentemente tem facilidade em entender o espanhol escrito e falado, mas os hispanofalantes não compartilham dessa facilidade na fala, somente na escrita. Isso é o que os linguistas chamam de “inteligibilidade assimétrica”, que é quando falantes de um idioma conseguem compreender outro idioma, mas os nativos dessa outra língua não tem o mesmo nível de compreensão.
No caso do espanhol, a dificuldade dos falantes em entender o português está nos fonemas e vogais nasais, já que o português tem muito mais diversidade desses sons que no espanhol. Um exemplo clássico está na inexistência de diferenças entre vogais abertas e fechadas no espanhol, enquanto no português coexistem “e”, “ê” e “é”, “o”, “ô” e “ó”.
Na prática, os hispanofalantes não conseguem entender a diferença de “avô” e “avó”, por exemplo, já que nunca tiveram contanto com essas variantes nasais. Por isso os lusófonos entendem cerca de 70% a 80% do espanhol, enquanto os hispânicos entendem algo entre 50% e 60% de português, não sendo raro uma taxa de compreensão abaixo desses níveis.
- O crescente interesse pelo português no mundo
A crescente presença econômica, geopolítica e cultural dos países de língua portuguesa no mundo tem aumentado o interesse de falantes de outros idiomas pelo português. Esse aumento acontece tanto em países com fronteiras com países da CPLP, como Senegal, Uruguai, Argentina e Paraguai, como em outros países sem proximidade linguística.
No Uruguai, o português já foi institucionalizado como ensino obrigatório nas escolas. Já na China e Índia, a constante de negócio com o Brasil e países africanos lusófonos aumentou bastante o interesse pelo idioma. Nos últimos anos, os relatórios da plataforma Duolingo mostram que depois do inglês e o espanhol, o português tem crescido como um dos principais idiomas no mundo, assim como o chinês e o coreano.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
- O fronteiriço uruguaio
Séculos de contato e trocas entre brasileiros e uruguaios na fronteira dos dois países criaram um dialeto muito curioso: o Fronteiriço. Nele, há uma mistura de palavras e sotaques do português gaúcho e do espanhol uruguaio (
rioplatense), numa espécie de “portunhol”, mas com características específicas dos dialetos dos dois idiomas falados na região.
Também chamado no Brasil de Misturado, e no Uruguai de
Fronterizo, ou português uruguaio por alguns linguistas, o dialeto cria expressões e palavras únicas na região, e é uma ponte entre lusófonos e hispanofalantes. O Fronteiriço não tem estatuto oficial, nem regras ortográficas, e seus falantes relatam sofrer preconceito linguístico e pressão estatal em alguns setores sociais, como em instituições de ensino.
- Tu X Você
Enquanto em Portugal o “você” caiu em desuso, usando-se “tu”, no Brasil o “você” é predominante, enquanto o “tu” é mais comum em algumas regiões do sul, nordeste e norte do país, além do Rio de Janeiro. Mas no Brasil, na maioria das vezes em que o “tu” é utilizado, de maneira informal, se utiliza a conjugação da 3ª pessoa, e não da 2ª, como seria o correto.
Dessa forma, é comum dizer “tu come” ao invés de “tu comes”, com exceção de algumas comunidades em Santa Catarina e no Rio grande do Sul, onde predomina o emprego do verbo corretamente.
Já nos dialetos africanos há variações regionais e de tratamento (formal ou informal) entre o “tu” e o “você”, mas também é comum que em algumas regiões se faça o contrário: usar o pronome “você” conjugando o verbo na 2ª pessoa. Logo “você come” pode ser “você comes”.
- A morte da língua geral
Por mais de 300 anos da colonização portuguesa em território brasileiro, a língua portuguesa não era a utilizada no dia a dia. O contato dos colonizadores europeus com as línguas indígenas e idiomas dos escravizados trazidos da África deu origem a uma língua crioula brasileira, assim como aconteceu em Cabo Verde. Mas ao contrário do arquipélago africano, por aqui o idioma totalmente brasileiro caiu em desuso.
Dividido entre duas variantes, uma mais falada no sul, chamada de paulista ou tupi-guarani, e outra mais falada no norte, conhecida como amazônica, esse idioma tinha o nome de “língua geral”. Os padres jesuítas e seu processo de evangelização dos nativos foram fundamentais na criação dela, com forte influência tanto do português quanto do tupi antigos.
O início do seu declínio aconteceu em 1758 e 1759, quando o Marquês de Pombal oficializou o português como único idioma oficial do país. No entanto, a língua geral continuou predominando em grande parte do território nacional até o fim do século 19 e início do século 20, período em que o português enfim se estabeleceu.
Muitas palavras da língua geral ainda resistem no português brasileiro, algumas inclusive foram incorporadas oficialmente. A variante amazônica deu origem ao nheengatu, também conhecido como tupi moderno, que ainda resiste em algumas cidades no noroeste do Amazonas, sendo idioma cooficial do estado.
- O decreto de Getúlio Vargas
A língua geral e os idiomas nativos não foram os únicos falados no Brasil, além do português. A imigração europeia aberta no final do século 19 trouxe um influxo de milhões de pessoas de vários países, com costumes, cultura e idiomas diferentes. Por isso, vários municípios do país tinham falantes de diversos idiomas “estrangeiros”, como o alemão, o ucraniano, italiano – e suas dezenas de dialetos – e o japonês.
No entanto, esses hábitos sofreram forte resistência política de Getúlio Vargas. Seu governo coincidiu com a segunda guerra mundial, e havia o temor de que esses imigrantes e seus decendentes – especialmente da Alemanha, Itália e Japão, países que formavam o eixo – se alinhassem na defensa de seus países de origem, colocando em risco a unidade nacional.
Assim, Getúlio Vargas começou uma campanha de nacionalização, fechando as portas para a imigração e proibindo o uso público de qualquer idioma que não fosse o português. Quem se descumprisse a lei poderia pagar multas ou mesmo ir preso.
- Nós entendemos espanhol, mas os hispânicos não nos entendem bem
Falantes de português frequentemente tem facilidade em entender o espanhol escrito e falado, mas os hispanofalantes não compartilham dessa facilidade na fala, somente na escrita. Isso é o que os linguistas chamam de “inteligibilidade assimétrica”, que é quando falantes de um idioma conseguem compreender outro idioma, mas os nativos dessa outra língua não tem o mesmo nível de compreensão.
No caso do espanhol, a dificuldade dos falantes em entender o português está nos fonemas e vogais nasais, já que o português tem muito mais diversidade desses sons que no espanhol. Um exemplo clássico está na inexistência de diferenças entre vogais abertas e fechadas no espanhol, enquanto no português coexistem “e”, “ê” e “é”, “o”, “ô” e “ó”.
Na prática, os hispanofalantes não conseguem entender a diferença de “avô” e “avó”, por exemplo, já que nunca tiveram contanto com essas variantes nasais. Por isso os lusófonos entendem cerca de 70% a 80% do espanhol, enquanto os hispânicos entendem algo entre 50% e 60% de português, não sendo raro uma taxa de compreensão abaixo desses níveis.
- O crescente interesse pelo português no mundo
A crescente presença econômica, geopolítica e cultural dos países de língua portuguesa no mundo tem aumentado o interesse de falantes de outros idiomas pelo português. Esse aumento acontece tanto em países com fronteiras com países da CPLP, como Senegal, Uruguai, Argentina e Paraguai, como em outros países sem proximidade linguística.
No Uruguai, o português já foi institucionalizado como ensino obrigatório nas escolas. Já na China e Índia, a constante de negócio com o Brasil e países africanos lusófonos aumentou bastante o interesse pelo idioma. Nos últimos anos, os relatórios da plataforma Duolingo mostram que depois do inglês e o espanhol, o português tem crescido como um dos principais idiomas no mundo, assim como o chinês e o coreano.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
- O gerúndio quase ausente em Portugal
Uma das maiores diferenças entre o português europeu e o brasileiro é quando nos referimos a uma ação que ainda está acontecendo. Enquanto no Brasil usamos o gerúndio, em expressões como “estou fazendo” e “estou comendo”, em Portugal é mais comum que se fale “estou a fazer” ou “estou a comer”.
Embora essa não seja uma regra geral, já que alguns dialetos europeus ainda usam o gerúndio, e também devido ao fato de que a imigração e influência cultural brasileira – por meio de músicas, livros, filmes – estão mudando alguns hábitos linguísticos portugueses, o gerúndio em Portugal costuma ser secundário ou formal.
- O fronteiriço uruguaio
Séculos de contato e trocas entre brasileiros e uruguaios na fronteira dos dois países criaram um dialeto muito curioso: o Fronteiriço. Nele, há uma mistura de palavras e sotaques do português gaúcho e do espanhol uruguaio (
rioplatense), numa espécie de “portunhol”, mas com características específicas dos dialetos dos dois idiomas falados na região.
Também chamado no Brasil de Misturado, e no Uruguai de
Fronterizo, ou português uruguaio por alguns linguistas, o dialeto cria expressões e palavras únicas na região, e é uma ponte entre lusófonos e hispanofalantes. O Fronteiriço não tem estatuto oficial, nem regras ortográficas, e seus falantes relatam sofrer preconceito linguístico e pressão estatal em alguns setores sociais, como em instituições de ensino.
- Tu X Você
Enquanto em Portugal o “você” caiu em desuso, usando-se “tu”, no Brasil o “você” é predominante, enquanto o “tu” é mais comum em algumas regiões do sul, nordeste e norte do país, além do Rio de Janeiro. Mas no Brasil, na maioria das vezes em que o “tu” é utilizado, de maneira informal, se utiliza a conjugação da 3ª pessoa, e não da 2ª, como seria o correto.
Dessa forma, é comum dizer “tu come” ao invés de “tu comes”, com exceção de algumas comunidades em Santa Catarina e no Rio grande do Sul, onde predomina o emprego do verbo corretamente.
Já nos dialetos africanos há variações regionais e de tratamento (formal ou informal) entre o “tu” e o “você”, mas também é comum que em algumas regiões se faça o contrário: usar o pronome “você” conjugando o verbo na 2ª pessoa. Logo “você come” pode ser “você comes”.
- A morte da língua geral
Por mais de 300 anos da colonização portuguesa em território brasileiro, a língua portuguesa não era a utilizada no dia a dia. O contato dos colonizadores europeus com as línguas indígenas e idiomas dos escravizados trazidos da África deu origem a uma língua crioula brasileira, assim como aconteceu em Cabo Verde. Mas ao contrário do arquipélago africano, por aqui o idioma totalmente brasileiro caiu em desuso.
Dividido entre duas variantes, uma mais falada no sul, chamada de paulista ou tupi-guarani, e outra mais falada no norte, conhecida como amazônica, esse idioma tinha o nome de “língua geral”. Os padres jesuítas e seu processo de evangelização dos nativos foram fundamentais na criação dela, com forte influência tanto do português quanto do tupi antigos.
O início do seu declínio aconteceu em 1758 e 1759, quando o Marquês de Pombal oficializou o português como único idioma oficial do país. No entanto, a língua geral continuou predominando em grande parte do território nacional até o fim do século 19 e início do século 20, período em que o português enfim se estabeleceu.
Muitas palavras da língua geral ainda resistem no português brasileiro, algumas inclusive foram incorporadas oficialmente. A variante amazônica deu origem ao nheengatu, também conhecido como tupi moderno, que ainda resiste em algumas cidades no noroeste do Amazonas, sendo idioma cooficial do estado.
- O decreto de Getúlio Vargas
A língua geral e os idiomas nativos não foram os únicos falados no Brasil, além do português. A imigração europeia aberta no final do século 19 trouxe um influxo de milhões de pessoas de vários países, com costumes, cultura e idiomas diferentes. Por isso, vários municípios do país tinham falantes de diversos idiomas “estrangeiros”, como o alemão, o ucraniano, italiano – e suas dezenas de dialetos – e o japonês.
No entanto, esses hábitos sofreram forte resistência política de Getúlio Vargas. Seu governo coincidiu com a segunda guerra mundial, e havia o temor de que esses imigrantes e seus decendentes – especialmente da Alemanha, Itália e Japão, países que formavam o eixo – se alinhassem na defensa de seus países de origem, colocando em risco a unidade nacional.
Assim, Getúlio Vargas começou uma campanha de nacionalização, fechando as portas para a imigração e proibindo o uso público de qualquer idioma que não fosse o português. Quem se descumprisse a lei poderia pagar multas ou mesmo ir preso.
- Nós entendemos espanhol, mas os hispânicos não nos entendem bem
Falantes de português frequentemente tem facilidade em entender o espanhol escrito e falado, mas os hispanofalantes não compartilham dessa facilidade na fala, somente na escrita. Isso é o que os linguistas chamam de “inteligibilidade assimétrica”, que é quando falantes de um idioma conseguem compreender outro idioma, mas os nativos dessa outra língua não tem o mesmo nível de compreensão.
No caso do espanhol, a dificuldade dos falantes em entender o português está nos fonemas e vogais nasais, já que o português tem muito mais diversidade desses sons que no espanhol. Um exemplo clássico está na inexistência de diferenças entre vogais abertas e fechadas no espanhol, enquanto no português coexistem “e”, “ê” e “é”, “o”, “ô” e “ó”.
Na prática, os hispanofalantes não conseguem entender a diferença de “avô” e “avó”, por exemplo, já que nunca tiveram contanto com essas variantes nasais. Por isso os lusófonos entendem cerca de 70% a 80% do espanhol, enquanto os hispânicos entendem algo entre 50% e 60% de português, não sendo raro uma taxa de compreensão abaixo desses níveis.
- O crescente interesse pelo português no mundo
A crescente presença econômica, geopolítica e cultural dos países de língua portuguesa no mundo tem aumentado o interesse de falantes de outros idiomas pelo português. Esse aumento acontece tanto em países com fronteiras com países da CPLP, como Senegal, Uruguai, Argentina e Paraguai, como em outros países sem proximidade linguística.
No Uruguai, o português já foi institucionalizado como ensino obrigatório nas escolas. Já na China e Índia, a constante de negócio com o Brasil e países africanos lusófonos aumentou bastante o interesse pelo idioma. Nos últimos anos, os relatórios da plataforma Duolingo mostram que depois do inglês e o espanhol, o português tem crescido como um dos principais idiomas no mundo, assim como o chinês e o coreano.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
- A similaridade com o galego
Na região autônoma da Galícia, no noroeste da Espanha, o espanhol divide espaço com o idioma galego, ambos cooficiais nesse território. Apesar do espanhol – ou castelhano – ter fortes semelhanças com o português, por razões históricas e geográficas, o galego é quase idêntico ao português, inclusive fortemente próximo ao português falado no norte de Portugal.
A semelhança é tanta, que muitos linguistas consideram os dois idiomas como um só, mas com variantes diferentes. Estudos mostram que o grau de inteligibilidade – compreensão – entre os dois idiomas chega até a 90%, inclusive com falantes brasileiros.
A razão é a origem comum, já que ambos os idiomas surgiram no galaico-português, antigo idioma falado na região antes da formação do Estado de Portugal. No entanto, o português foi difundido pelos continentes com a colonização portuguesa, enquanto o galego ficou restrito à região da Galícia e sofreu repressão e proibições da ditadura franquista na Espanha.
- O gerúndio quase ausente em Portugal
Uma das maiores diferenças entre o português europeu e o brasileiro é quando nos referimos a uma ação que ainda está acontecendo. Enquanto no Brasil usamos o gerúndio, em expressões como “estou fazendo” e “estou comendo”, em Portugal é mais comum que se fale “estou a fazer” ou “estou a comer”.
Embora essa não seja uma regra geral, já que alguns dialetos europeus ainda usam o gerúndio, e também devido ao fato de que a imigração e influência cultural brasileira – por meio de músicas, livros, filmes – estão mudando alguns hábitos linguísticos portugueses, o gerúndio em Portugal costuma ser secundário ou formal.
- O fronteiriço uruguaio
Séculos de contato e trocas entre brasileiros e uruguaios na fronteira dos dois países criaram um dialeto muito curioso: o Fronteiriço. Nele, há uma mistura de palavras e sotaques do português gaúcho e do espanhol uruguaio (
rioplatense), numa espécie de “portunhol”, mas com características específicas dos dialetos dos dois idiomas falados na região.
Também chamado no Brasil de Misturado, e no Uruguai de
Fronterizo, ou português uruguaio por alguns linguistas, o dialeto cria expressões e palavras únicas na região, e é uma ponte entre lusófonos e hispanofalantes. O Fronteiriço não tem estatuto oficial, nem regras ortográficas, e seus falantes relatam sofrer preconceito linguístico e pressão estatal em alguns setores sociais, como em instituições de ensino.
- Tu X Você
Enquanto em Portugal o “você” caiu em desuso, usando-se “tu”, no Brasil o “você” é predominante, enquanto o “tu” é mais comum em algumas regiões do sul, nordeste e norte do país, além do Rio de Janeiro. Mas no Brasil, na maioria das vezes em que o “tu” é utilizado, de maneira informal, se utiliza a conjugação da 3ª pessoa, e não da 2ª, como seria o correto.
Dessa forma, é comum dizer “tu come” ao invés de “tu comes”, com exceção de algumas comunidades em Santa Catarina e no Rio grande do Sul, onde predomina o emprego do verbo corretamente.
Já nos dialetos africanos há variações regionais e de tratamento (formal ou informal) entre o “tu” e o “você”, mas também é comum que em algumas regiões se faça o contrário: usar o pronome “você” conjugando o verbo na 2ª pessoa. Logo “você come” pode ser “você comes”.
- A morte da língua geral
Por mais de 300 anos da colonização portuguesa em território brasileiro, a língua portuguesa não era a utilizada no dia a dia. O contato dos colonizadores europeus com as línguas indígenas e idiomas dos escravizados trazidos da África deu origem a uma língua crioula brasileira, assim como aconteceu em Cabo Verde. Mas ao contrário do arquipélago africano, por aqui o idioma totalmente brasileiro caiu em desuso.
Dividido entre duas variantes, uma mais falada no sul, chamada de paulista ou tupi-guarani, e outra mais falada no norte, conhecida como amazônica, esse idioma tinha o nome de “língua geral”. Os padres jesuítas e seu processo de evangelização dos nativos foram fundamentais na criação dela, com forte influência tanto do português quanto do tupi antigos.
O início do seu declínio aconteceu em 1758 e 1759, quando o Marquês de Pombal oficializou o português como único idioma oficial do país. No entanto, a língua geral continuou predominando em grande parte do território nacional até o fim do século 19 e início do século 20, período em que o português enfim se estabeleceu.
Muitas palavras da língua geral ainda resistem no português brasileiro, algumas inclusive foram incorporadas oficialmente. A variante amazônica deu origem ao nheengatu, também conhecido como tupi moderno, que ainda resiste em algumas cidades no noroeste do Amazonas, sendo idioma cooficial do estado.
- O decreto de Getúlio Vargas
A língua geral e os idiomas nativos não foram os únicos falados no Brasil, além do português. A imigração europeia aberta no final do século 19 trouxe um influxo de milhões de pessoas de vários países, com costumes, cultura e idiomas diferentes. Por isso, vários municípios do país tinham falantes de diversos idiomas “estrangeiros”, como o alemão, o ucraniano, italiano – e suas dezenas de dialetos – e o japonês.
No entanto, esses hábitos sofreram forte resistência política de Getúlio Vargas. Seu governo coincidiu com a segunda guerra mundial, e havia o temor de que esses imigrantes e seus decendentes – especialmente da Alemanha, Itália e Japão, países que formavam o eixo – se alinhassem na defensa de seus países de origem, colocando em risco a unidade nacional.
Assim, Getúlio Vargas começou uma campanha de nacionalização, fechando as portas para a imigração e proibindo o uso público de qualquer idioma que não fosse o português. Quem se descumprisse a lei poderia pagar multas ou mesmo ir preso.
- Nós entendemos espanhol, mas os hispânicos não nos entendem bem
Falantes de português frequentemente tem facilidade em entender o espanhol escrito e falado, mas os hispanofalantes não compartilham dessa facilidade na fala, somente na escrita. Isso é o que os linguistas chamam de “inteligibilidade assimétrica”, que é quando falantes de um idioma conseguem compreender outro idioma, mas os nativos dessa outra língua não tem o mesmo nível de compreensão.
No caso do espanhol, a dificuldade dos falantes em entender o português está nos fonemas e vogais nasais, já que o português tem muito mais diversidade desses sons que no espanhol. Um exemplo clássico está na inexistência de diferenças entre vogais abertas e fechadas no espanhol, enquanto no português coexistem “e”, “ê” e “é”, “o”, “ô” e “ó”.
Na prática, os hispanofalantes não conseguem entender a diferença de “avô” e “avó”, por exemplo, já que nunca tiveram contanto com essas variantes nasais. Por isso os lusófonos entendem cerca de 70% a 80% do espanhol, enquanto os hispânicos entendem algo entre 50% e 60% de português, não sendo raro uma taxa de compreensão abaixo desses níveis.
- O crescente interesse pelo português no mundo
A crescente presença econômica, geopolítica e cultural dos países de língua portuguesa no mundo tem aumentado o interesse de falantes de outros idiomas pelo português. Esse aumento acontece tanto em países com fronteiras com países da CPLP, como Senegal, Uruguai, Argentina e Paraguai, como em outros países sem proximidade linguística.
No Uruguai, o português já foi institucionalizado como ensino obrigatório nas escolas. Já na China e Índia, a constante de negócio com o Brasil e países africanos lusófonos aumentou bastante o interesse pelo idioma. Nos últimos anos, os relatórios da plataforma Duolingo mostram que depois do inglês e o espanhol, o português tem crescido como um dos principais idiomas no mundo, assim como o chinês e o coreano.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
- Mais de 30 dialetos
Com centenas de milhões de falantes nativos, não é surpresa que as variações sejam diversas. Ao todo, os linguistas contabilizam mais de 30 dialetos da língua portuguesa diferentes, sendo 16 no Brasil e 10 em Portugal.
Os dialetos mais destacados no Brasil são o mineiro, o gaúcho, o sertanejo, caipira, baiano, nortista, nordestino, carioca e o paulistano.
- A similaridade com o galego
Na região autônoma da Galícia, no noroeste da Espanha, o espanhol divide espaço com o idioma galego, ambos cooficiais nesse território. Apesar do espanhol – ou castelhano – ter fortes semelhanças com o português, por razões históricas e geográficas, o galego é quase idêntico ao português, inclusive fortemente próximo ao português falado no norte de Portugal.
A semelhança é tanta, que muitos linguistas consideram os dois idiomas como um só, mas com variantes diferentes. Estudos mostram que o grau de inteligibilidade – compreensão – entre os dois idiomas chega até a 90%, inclusive com falantes brasileiros.
A razão é a origem comum, já que ambos os idiomas surgiram no galaico-português, antigo idioma falado na região antes da formação do Estado de Portugal. No entanto, o português foi difundido pelos continentes com a colonização portuguesa, enquanto o galego ficou restrito à região da Galícia e sofreu repressão e proibições da ditadura franquista na Espanha.
- O gerúndio quase ausente em Portugal
Uma das maiores diferenças entre o português europeu e o brasileiro é quando nos referimos a uma ação que ainda está acontecendo. Enquanto no Brasil usamos o gerúndio, em expressões como “estou fazendo” e “estou comendo”, em Portugal é mais comum que se fale “estou a fazer” ou “estou a comer”.
Embora essa não seja uma regra geral, já que alguns dialetos europeus ainda usam o gerúndio, e também devido ao fato de que a imigração e influência cultural brasileira – por meio de músicas, livros, filmes – estão mudando alguns hábitos linguísticos portugueses, o gerúndio em Portugal costuma ser secundário ou formal.
- O fronteiriço uruguaio
Séculos de contato e trocas entre brasileiros e uruguaios na fronteira dos dois países criaram um dialeto muito curioso: o Fronteiriço. Nele, há uma mistura de palavras e sotaques do português gaúcho e do espanhol uruguaio (
rioplatense), numa espécie de “portunhol”, mas com características específicas dos dialetos dos dois idiomas falados na região.
Também chamado no Brasil de Misturado, e no Uruguai de
Fronterizo, ou português uruguaio por alguns linguistas, o dialeto cria expressões e palavras únicas na região, e é uma ponte entre lusófonos e hispanofalantes. O Fronteiriço não tem estatuto oficial, nem regras ortográficas, e seus falantes relatam sofrer preconceito linguístico e pressão estatal em alguns setores sociais, como em instituições de ensino.
- Tu X Você
Enquanto em Portugal o “você” caiu em desuso, usando-se “tu”, no Brasil o “você” é predominante, enquanto o “tu” é mais comum em algumas regiões do sul, nordeste e norte do país, além do Rio de Janeiro. Mas no Brasil, na maioria das vezes em que o “tu” é utilizado, de maneira informal, se utiliza a conjugação da 3ª pessoa, e não da 2ª, como seria o correto.
Dessa forma, é comum dizer “tu come” ao invés de “tu comes”, com exceção de algumas comunidades em Santa Catarina e no Rio grande do Sul, onde predomina o emprego do verbo corretamente.
Já nos dialetos africanos há variações regionais e de tratamento (formal ou informal) entre o “tu” e o “você”, mas também é comum que em algumas regiões se faça o contrário: usar o pronome “você” conjugando o verbo na 2ª pessoa. Logo “você come” pode ser “você comes”.
- A morte da língua geral
Por mais de 300 anos da colonização portuguesa em território brasileiro, a língua portuguesa não era a utilizada no dia a dia. O contato dos colonizadores europeus com as línguas indígenas e idiomas dos escravizados trazidos da África deu origem a uma língua crioula brasileira, assim como aconteceu em Cabo Verde. Mas ao contrário do arquipélago africano, por aqui o idioma totalmente brasileiro caiu em desuso.
Dividido entre duas variantes, uma mais falada no sul, chamada de paulista ou tupi-guarani, e outra mais falada no norte, conhecida como amazônica, esse idioma tinha o nome de “língua geral”. Os padres jesuítas e seu processo de evangelização dos nativos foram fundamentais na criação dela, com forte influência tanto do português quanto do tupi antigos.
O início do seu declínio aconteceu em 1758 e 1759, quando o Marquês de Pombal oficializou o português como único idioma oficial do país. No entanto, a língua geral continuou predominando em grande parte do território nacional até o fim do século 19 e início do século 20, período em que o português enfim se estabeleceu.
Muitas palavras da língua geral ainda resistem no português brasileiro, algumas inclusive foram incorporadas oficialmente. A variante amazônica deu origem ao nheengatu, também conhecido como tupi moderno, que ainda resiste em algumas cidades no noroeste do Amazonas, sendo idioma cooficial do estado.
- O decreto de Getúlio Vargas
A língua geral e os idiomas nativos não foram os únicos falados no Brasil, além do português. A imigração europeia aberta no final do século 19 trouxe um influxo de milhões de pessoas de vários países, com costumes, cultura e idiomas diferentes. Por isso, vários municípios do país tinham falantes de diversos idiomas “estrangeiros”, como o alemão, o ucraniano, italiano – e suas dezenas de dialetos – e o japonês.
No entanto, esses hábitos sofreram forte resistência política de Getúlio Vargas. Seu governo coincidiu com a segunda guerra mundial, e havia o temor de que esses imigrantes e seus decendentes – especialmente da Alemanha, Itália e Japão, países que formavam o eixo – se alinhassem na defensa de seus países de origem, colocando em risco a unidade nacional.
Assim, Getúlio Vargas começou uma campanha de nacionalização, fechando as portas para a imigração e proibindo o uso público de qualquer idioma que não fosse o português. Quem se descumprisse a lei poderia pagar multas ou mesmo ir preso.
- Nós entendemos espanhol, mas os hispânicos não nos entendem bem
Falantes de português frequentemente tem facilidade em entender o espanhol escrito e falado, mas os hispanofalantes não compartilham dessa facilidade na fala, somente na escrita. Isso é o que os linguistas chamam de “inteligibilidade assimétrica”, que é quando falantes de um idioma conseguem compreender outro idioma, mas os nativos dessa outra língua não tem o mesmo nível de compreensão.
No caso do espanhol, a dificuldade dos falantes em entender o português está nos fonemas e vogais nasais, já que o português tem muito mais diversidade desses sons que no espanhol. Um exemplo clássico está na inexistência de diferenças entre vogais abertas e fechadas no espanhol, enquanto no português coexistem “e”, “ê” e “é”, “o”, “ô” e “ó”.
Na prática, os hispanofalantes não conseguem entender a diferença de “avô” e “avó”, por exemplo, já que nunca tiveram contanto com essas variantes nasais. Por isso os lusófonos entendem cerca de 70% a 80% do espanhol, enquanto os hispânicos entendem algo entre 50% e 60% de português, não sendo raro uma taxa de compreensão abaixo desses níveis.
- O crescente interesse pelo português no mundo
A crescente presença econômica, geopolítica e cultural dos países de língua portuguesa no mundo tem aumentado o interesse de falantes de outros idiomas pelo português. Esse aumento acontece tanto em países com fronteiras com países da CPLP, como Senegal, Uruguai, Argentina e Paraguai, como em outros países sem proximidade linguística.
No Uruguai, o português já foi institucionalizado como ensino obrigatório nas escolas. Já na China e Índia, a constante de negócio com o Brasil e países africanos lusófonos aumentou bastante o interesse pelo idioma. Nos últimos anos, os relatórios da plataforma Duolingo mostram que depois do inglês e o espanhol, o português tem crescido como um dos principais idiomas no mundo, assim como o chinês e o coreano.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
- Presença na África e Ásia
Muito além de Portugal e Brasil, a língua portuguesa é o idioma oficial em mais de sete países: Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Guiné-Equatorial na África, além de Timor-Leste, na Ásia.
Além disso, por causa da colonização portuguesa, as regiões de Goa na Índia, e Macau, na China, também tem comunidades lusófonas. Ao todo, são nove países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), totalizando cerca de 300 milhões de falantes mundiais, sendo cerca de 260 milhões de falantes nativos.
É a quinta língua mais falada no mundo, e mais de 80% dos falantes de português são brasileiros, sendo os países africanos com rápido crescimento de falantes devido ao acelerado aumento demográfico. Os portugueses formam pouco menos de 4% dos falantes do idioma mundialmente.
- Mais de 30 dialetos
Com centenas de milhões de falantes nativos, não é surpresa que as variações sejam diversas. Ao todo, os linguistas contabilizam mais de 30 dialetos da língua portuguesa diferentes, sendo 16 no Brasil e 10 em Portugal.
Os dialetos mais destacados no Brasil são o mineiro, o gaúcho, o sertanejo, caipira, baiano, nortista, nordestino, carioca e o paulistano.
- A similaridade com o galego
Na região autônoma da Galícia, no noroeste da Espanha, o espanhol divide espaço com o idioma galego, ambos cooficiais nesse território. Apesar do espanhol – ou castelhano – ter fortes semelhanças com o português, por razões históricas e geográficas, o galego é quase idêntico ao português, inclusive fortemente próximo ao português falado no norte de Portugal.
A semelhança é tanta, que muitos linguistas consideram os dois idiomas como um só, mas com variantes diferentes. Estudos mostram que o grau de inteligibilidade – compreensão – entre os dois idiomas chega até a 90%, inclusive com falantes brasileiros.
A razão é a origem comum, já que ambos os idiomas surgiram no galaico-português, antigo idioma falado na região antes da formação do Estado de Portugal. No entanto, o português foi difundido pelos continentes com a colonização portuguesa, enquanto o galego ficou restrito à região da Galícia e sofreu repressão e proibições da ditadura franquista na Espanha.
- O gerúndio quase ausente em Portugal
Uma das maiores diferenças entre o português europeu e o brasileiro é quando nos referimos a uma ação que ainda está acontecendo. Enquanto no Brasil usamos o gerúndio, em expressões como “estou fazendo” e “estou comendo”, em Portugal é mais comum que se fale “estou a fazer” ou “estou a comer”.
Embora essa não seja uma regra geral, já que alguns dialetos europeus ainda usam o gerúndio, e também devido ao fato de que a imigração e influência cultural brasileira – por meio de músicas, livros, filmes – estão mudando alguns hábitos linguísticos portugueses, o gerúndio em Portugal costuma ser secundário ou formal.
- O fronteiriço uruguaio
Séculos de contato e trocas entre brasileiros e uruguaios na fronteira dos dois países criaram um dialeto muito curioso: o Fronteiriço. Nele, há uma mistura de palavras e sotaques do português gaúcho e do espanhol uruguaio (
rioplatense), numa espécie de “portunhol”, mas com características específicas dos dialetos dos dois idiomas falados na região.
Também chamado no Brasil de Misturado, e no Uruguai de
Fronterizo, ou português uruguaio por alguns linguistas, o dialeto cria expressões e palavras únicas na região, e é uma ponte entre lusófonos e hispanofalantes. O Fronteiriço não tem estatuto oficial, nem regras ortográficas, e seus falantes relatam sofrer preconceito linguístico e pressão estatal em alguns setores sociais, como em instituições de ensino.
- Tu X Você
Enquanto em Portugal o “você” caiu em desuso, usando-se “tu”, no Brasil o “você” é predominante, enquanto o “tu” é mais comum em algumas regiões do sul, nordeste e norte do país, além do Rio de Janeiro. Mas no Brasil, na maioria das vezes em que o “tu” é utilizado, de maneira informal, se utiliza a conjugação da 3ª pessoa, e não da 2ª, como seria o correto.
Dessa forma, é comum dizer “tu come” ao invés de “tu comes”, com exceção de algumas comunidades em Santa Catarina e no Rio grande do Sul, onde predomina o emprego do verbo corretamente.
Já nos dialetos africanos há variações regionais e de tratamento (formal ou informal) entre o “tu” e o “você”, mas também é comum que em algumas regiões se faça o contrário: usar o pronome “você” conjugando o verbo na 2ª pessoa. Logo “você come” pode ser “você comes”.
- A morte da língua geral
Por mais de 300 anos da colonização portuguesa em território brasileiro, a língua portuguesa não era a utilizada no dia a dia. O contato dos colonizadores europeus com as línguas indígenas e idiomas dos escravizados trazidos da África deu origem a uma língua crioula brasileira, assim como aconteceu em Cabo Verde. Mas ao contrário do arquipélago africano, por aqui o idioma totalmente brasileiro caiu em desuso.
Dividido entre duas variantes, uma mais falada no sul, chamada de paulista ou tupi-guarani, e outra mais falada no norte, conhecida como amazônica, esse idioma tinha o nome de “língua geral”. Os padres jesuítas e seu processo de evangelização dos nativos foram fundamentais na criação dela, com forte influência tanto do português quanto do tupi antigos.
O início do seu declínio aconteceu em 1758 e 1759, quando o Marquês de Pombal oficializou o português como único idioma oficial do país. No entanto, a língua geral continuou predominando em grande parte do território nacional até o fim do século 19 e início do século 20, período em que o português enfim se estabeleceu.
Muitas palavras da língua geral ainda resistem no português brasileiro, algumas inclusive foram incorporadas oficialmente. A variante amazônica deu origem ao nheengatu, também conhecido como tupi moderno, que ainda resiste em algumas cidades no noroeste do Amazonas, sendo idioma cooficial do estado.
- O decreto de Getúlio Vargas
A língua geral e os idiomas nativos não foram os únicos falados no Brasil, além do português. A imigração europeia aberta no final do século 19 trouxe um influxo de milhões de pessoas de vários países, com costumes, cultura e idiomas diferentes. Por isso, vários municípios do país tinham falantes de diversos idiomas “estrangeiros”, como o alemão, o ucraniano, italiano – e suas dezenas de dialetos – e o japonês.
No entanto, esses hábitos sofreram forte resistência política de Getúlio Vargas. Seu governo coincidiu com a segunda guerra mundial, e havia o temor de que esses imigrantes e seus decendentes – especialmente da Alemanha, Itália e Japão, países que formavam o eixo – se alinhassem na defensa de seus países de origem, colocando em risco a unidade nacional.
Assim, Getúlio Vargas começou uma campanha de nacionalização, fechando as portas para a imigração e proibindo o uso público de qualquer idioma que não fosse o português. Quem se descumprisse a lei poderia pagar multas ou mesmo ir preso.
- Nós entendemos espanhol, mas os hispânicos não nos entendem bem
Falantes de português frequentemente tem facilidade em entender o espanhol escrito e falado, mas os hispanofalantes não compartilham dessa facilidade na fala, somente na escrita. Isso é o que os linguistas chamam de “inteligibilidade assimétrica”, que é quando falantes de um idioma conseguem compreender outro idioma, mas os nativos dessa outra língua não tem o mesmo nível de compreensão.
No caso do espanhol, a dificuldade dos falantes em entender o português está nos fonemas e vogais nasais, já que o português tem muito mais diversidade desses sons que no espanhol. Um exemplo clássico está na inexistência de diferenças entre vogais abertas e fechadas no espanhol, enquanto no português coexistem “e”, “ê” e “é”, “o”, “ô” e “ó”.
Na prática, os hispanofalantes não conseguem entender a diferença de “avô” e “avó”, por exemplo, já que nunca tiveram contanto com essas variantes nasais. Por isso os lusófonos entendem cerca de 70% a 80% do espanhol, enquanto os hispânicos entendem algo entre 50% e 60% de português, não sendo raro uma taxa de compreensão abaixo desses níveis.
- O crescente interesse pelo português no mundo
A crescente presença econômica, geopolítica e cultural dos países de língua portuguesa no mundo tem aumentado o interesse de falantes de outros idiomas pelo português. Esse aumento acontece tanto em países com fronteiras com países da CPLP, como Senegal, Uruguai, Argentina e Paraguai, como em outros países sem proximidade linguística.
No Uruguai, o português já foi institucionalizado como ensino obrigatório nas escolas. Já na China e Índia, a constante de negócio com o Brasil e países africanos lusófonos aumentou bastante o interesse pelo idioma. Nos últimos anos, os relatórios da plataforma Duolingo mostram que depois do inglês e o espanhol, o português tem crescido como um dos principais idiomas no mundo, assim como o chinês e o coreano.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
Com forte influência mundial, língua portuguesa se destaca pela diversidade e relação com diferentes povos
Que o português é uma identidade nacional brasileira, isso você já sabe. Você também deve saber que o português não é um idioma fácil de se aprender para quem não é nativo. Mas com tanta diversidade, e uma comunidade de mais de 300 milhões de falantes, com certeza há coisas que você talvez não saiba sobre o português.
Um idioma latino, como seus vizinhos espanhol, o francês e o italiano, o português surgiu na península ibérica assim como o espanhol, e isso explica por que tanta similaridade. Mas o processo de colonização dos portugueses no Brasil e várias outras regiões do globo fizeram com que ele tomasse nuances únicas, com variações que podem não ser conhecidas por todos os lusófonos.
A letróloga e docente da UniBRAS Santa Inês, Thaís Alves, explica que a língua portuguesa é um dos vários idiomas surgidos na Europa a partir do latim, mais especificamente do latim vulgar, que era utilizado no dia a dia do antigo Império Romano, ao contrário do latim formal, que era padronizado e culto. A região que hoje está Portugal fez parte desse império.
“O latim tinha duas ramificações, o clássico e o vulgar. Assim como outras línguas neolatinas, o português se deriva da variante vulgar do latim. Depois disso, o idioma foi trazido pelos europeus ao território nacional na colonização, e o hoje o Brasil faz parte da comunidade dos países lusófonos, que é o termo utilizado para se referir aos países em que o português é idioma nativo”, argumenta.
Para celebrar nosso idioma, deixamos abaixo algumas curiosidades e coisas que você talvez não saiba sobre o português, e também fatos e características linguísticas e históricas relacionadas à nossa língua.
- Presença na África e Ásia
Muito além de Portugal e Brasil, a língua portuguesa é o idioma oficial em mais de sete países: Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Guiné-Equatorial na África, além de Timor-Leste, na Ásia.
Além disso, por causa da colonização portuguesa, as regiões de Goa na Índia, e Macau, na China, também tem comunidades lusófonas. Ao todo, são nove países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), totalizando cerca de 300 milhões de falantes mundiais, sendo cerca de 260 milhões de falantes nativos.
É a quinta língua mais falada no mundo, e mais de 80% dos falantes de português são brasileiros, sendo os países africanos com rápido crescimento de falantes devido ao acelerado aumento demográfico. Os portugueses formam pouco menos de 4% dos falantes do idioma mundialmente.
- Mais de 30 dialetos
Com centenas de milhões de falantes nativos, não é surpresa que as variações sejam diversas. Ao todo, os linguistas contabilizam mais de 30 dialetos da língua portuguesa diferentes, sendo 16 no Brasil e 10 em Portugal.
Os dialetos mais destacados no Brasil são o mineiro, o gaúcho, o sertanejo, caipira, baiano, nortista, nordestino, carioca e o paulistano.
- A similaridade com o galego
Na região autônoma da Galícia, no noroeste da Espanha, o espanhol divide espaço com o idioma galego, ambos cooficiais nesse território. Apesar do espanhol – ou castelhano – ter fortes semelhanças com o português, por razões históricas e geográficas, o galego é quase idêntico ao português, inclusive fortemente próximo ao português falado no norte de Portugal.
A semelhança é tanta, que muitos linguistas consideram os dois idiomas como um só, mas com variantes diferentes. Estudos mostram que o grau de inteligibilidade – compreensão – entre os dois idiomas chega até a 90%, inclusive com falantes brasileiros.
A razão é a origem comum, já que ambos os idiomas surgiram no galaico-português, antigo idioma falado na região antes da formação do Estado de Portugal. No entanto, o português foi difundido pelos continentes com a colonização portuguesa, enquanto o galego ficou restrito à região da Galícia e sofreu repressão e proibições da ditadura franquista na Espanha.
- O gerúndio quase ausente em Portugal
Uma das maiores diferenças entre o português europeu e o brasileiro é quando nos referimos a uma ação que ainda está acontecendo. Enquanto no Brasil usamos o gerúndio, em expressões como “estou fazendo” e “estou comendo”, em Portugal é mais comum que se fale “estou a fazer” ou “estou a comer”.
Embora essa não seja uma regra geral, já que alguns dialetos europeus ainda usam o gerúndio, e também devido ao fato de que a imigração e influência cultural brasileira – por meio de músicas, livros, filmes – estão mudando alguns hábitos linguísticos portugueses, o gerúndio em Portugal costuma ser secundário ou formal.
- O fronteiriço uruguaio
Séculos de contato e trocas entre brasileiros e uruguaios na fronteira dos dois países criaram um dialeto muito curioso: o Fronteiriço. Nele, há uma mistura de palavras e sotaques do português gaúcho e do espanhol uruguaio (
rioplatense), numa espécie de “portunhol”, mas com características específicas dos dialetos dos dois idiomas falados na região.
Também chamado no Brasil de Misturado, e no Uruguai de
Fronterizo, ou português uruguaio por alguns linguistas, o dialeto cria expressões e palavras únicas na região, e é uma ponte entre lusófonos e hispanofalantes. O Fronteiriço não tem estatuto oficial, nem regras ortográficas, e seus falantes relatam sofrer preconceito linguístico e pressão estatal em alguns setores sociais, como em instituições de ensino.
- Tu X Você
Enquanto em Portugal o “você” caiu em desuso, usando-se “tu”, no Brasil o “você” é predominante, enquanto o “tu” é mais comum em algumas regiões do sul, nordeste e norte do país, além do Rio de Janeiro. Mas no Brasil, na maioria das vezes em que o “tu” é utilizado, de maneira informal, se utiliza a conjugação da 3ª pessoa, e não da 2ª, como seria o correto.
Dessa forma, é comum dizer “tu come” ao invés de “tu comes”, com exceção de algumas comunidades em Santa Catarina e no Rio grande do Sul, onde predomina o emprego do verbo corretamente.
Já nos dialetos africanos há variações regionais e de tratamento (formal ou informal) entre o “tu” e o “você”, mas também é comum que em algumas regiões se faça o contrário: usar o pronome “você” conjugando o verbo na 2ª pessoa. Logo “você come” pode ser “você comes”.
- A morte da língua geral
Por mais de 300 anos da colonização portuguesa em território brasileiro, a língua portuguesa não era a utilizada no dia a dia. O contato dos colonizadores europeus com as línguas indígenas e idiomas dos escravizados trazidos da África deu origem a uma língua crioula brasileira, assim como aconteceu em Cabo Verde. Mas ao contrário do arquipélago africano, por aqui o idioma totalmente brasileiro caiu em desuso.
Dividido entre duas variantes, uma mais falada no sul, chamada de paulista ou tupi-guarani, e outra mais falada no norte, conhecida como amazônica, esse idioma tinha o nome de “língua geral”. Os padres jesuítas e seu processo de evangelização dos nativos foram fundamentais na criação dela, com forte influência tanto do português quanto do tupi antigos.
O início do seu declínio aconteceu em 1758 e 1759, quando o Marquês de Pombal oficializou o português como único idioma oficial do país. No entanto, a língua geral continuou predominando em grande parte do território nacional até o fim do século 19 e início do século 20, período em que o português enfim se estabeleceu.
Muitas palavras da língua geral ainda resistem no português brasileiro, algumas inclusive foram incorporadas oficialmente. A variante amazônica deu origem ao nheengatu, também conhecido como tupi moderno, que ainda resiste em algumas cidades no noroeste do Amazonas, sendo idioma cooficial do estado.
- O decreto de Getúlio Vargas
A língua geral e os idiomas nativos não foram os únicos falados no Brasil, além do português. A imigração europeia aberta no final do século 19 trouxe um influxo de milhões de pessoas de vários países, com costumes, cultura e idiomas diferentes. Por isso, vários municípios do país tinham falantes de diversos idiomas “estrangeiros”, como o alemão, o ucraniano, italiano – e suas dezenas de dialetos – e o japonês.
No entanto, esses hábitos sofreram forte resistência política de Getúlio Vargas. Seu governo coincidiu com a segunda guerra mundial, e havia o temor de que esses imigrantes e seus decendentes – especialmente da Alemanha, Itália e Japão, países que formavam o eixo – se alinhassem na defensa de seus países de origem, colocando em risco a unidade nacional.
Assim, Getúlio Vargas começou uma campanha de nacionalização, fechando as portas para a imigração e proibindo o uso público de qualquer idioma que não fosse o português. Quem se descumprisse a lei poderia pagar multas ou mesmo ir preso.
- Nós entendemos espanhol, mas os hispânicos não nos entendem bem
Falantes de português frequentemente tem facilidade em entender o espanhol escrito e falado, mas os hispanofalantes não compartilham dessa facilidade na fala, somente na escrita. Isso é o que os linguistas chamam de “inteligibilidade assimétrica”, que é quando falantes de um idioma conseguem compreender outro idioma, mas os nativos dessa outra língua não tem o mesmo nível de compreensão.
No caso do espanhol, a dificuldade dos falantes em entender o português está nos fonemas e vogais nasais, já que o português tem muito mais diversidade desses sons que no espanhol. Um exemplo clássico está na inexistência de diferenças entre vogais abertas e fechadas no espanhol, enquanto no português coexistem “e”, “ê” e “é”, “o”, “ô” e “ó”.
Na prática, os hispanofalantes não conseguem entender a diferença de “avô” e “avó”, por exemplo, já que nunca tiveram contanto com essas variantes nasais. Por isso os lusófonos entendem cerca de 70% a 80% do espanhol, enquanto os hispânicos entendem algo entre 50% e 60% de português, não sendo raro uma taxa de compreensão abaixo desses níveis.
- O crescente interesse pelo português no mundo
A crescente presença econômica, geopolítica e cultural dos países de língua portuguesa no mundo tem aumentado o interesse de falantes de outros idiomas pelo português. Esse aumento acontece tanto em países com fronteiras com países da CPLP, como Senegal, Uruguai, Argentina e Paraguai, como em outros países sem proximidade linguística.
No Uruguai, o português já foi institucionalizado como ensino obrigatório nas escolas. Já na China e Índia, a constante de negócio com o Brasil e países africanos lusófonos aumentou bastante o interesse pelo idioma. Nos últimos anos, os relatórios da plataforma Duolingo mostram que depois do inglês e o espanhol, o português tem crescido como um dos principais idiomas no mundo, assim como o chinês e o coreano.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)